Novembro

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Se eu te perguntasse “Quem é você?”, o que você responderia? Talvez um “meu nome é fulano, trabalho na área tal…”.
E se eu repetisse a pergunta “quem é você?”, o que você responderia? Talvez um “sou pai e gosto de futebol”.
E se eu insistisse nessa pergunta por mais algumas vezes, será que teria resposta para tudo?

​Através dessa pergunta podemos perceber que temos dificuldade em definir quem somos, e a intenção não é gerar uma crise existencial com essa perguntas, mas sim mostrar que nossos pensamentos são parte importante para nós, pois eles nos dão sentido à vida ao ponto que nos identificamos com nossos pensamentos. É isso mesmo… Se algum dia você já se chamou ou se reconheceu como ansioso ou estressado ou até mesmo calmo ou tranquilo, você sabe do que eu estou falando.
Nossos pensamentos são automáticos e uma de suas funções é exatamente essa: nos dar sentido à vida. Porém, acabamos nos identificando mais com uns pensamentos do que com outros e isso vai de acordo com nossas crenças, religião, estilo e objetivo de vida.
Em relação a nutrição sabemos o quanto os pensamentos relacionados a frustrações, chateações e desejos ou até preocupações com o peso e imagem corporal, permeiam nossa vida e dia-dia, influenciando nosso comportamento alimentar.
Já dizia Dalai Lama que todos evitamos o sofrimento e buscamos a felicidade. Assim, quando esses pensamentos surgem, não é diferente: temos a tendência a buscar sensações de prazer e felicidade para nos libertar deles, pois não temos nenhuma habilidade ou não sabemos como lidar com eles.. Uma destas formas é o comer, onde se usa o alimento como forma de compensação, uma válvula de escape emocional, mas é uma tentativa de preencher um espaço que não consegue ser preenchido por comida.
Já conversamos anteriormente que a aceitação é uma prática de extrema importância e que a negação de pensamentos e sentimentos acabam por aumentar o sofrimento.
Em Mindfulness existem algumas práticas que nos ajudam a desenvolver mais habilidade para lidar com esses pensamentos desafiadores do nosso dia a dia. Uma delas é a dinâmica “Oi, obrigado e tchau”.
Nesta prática você se coloca frente a frente com o pensamento e diz “Oi, obrigado e tchau”. O que isto significa?
Diante desses pensamentos que influenciam nosso comportamento podemos apenas reconhecê-los como pensamentos,aceitá-los e deixá-los irem embora, se desidentificando, da seguinte maneira:

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Assim, você honra seus pensamentos, inclusive os negativos. Reconheça seus pensamentos e, desta mesma forma, reconheça que também somos merecedores e dignos de conforto e de autocompaixão. Podemos aprender simplesmente a apreciar a presença desses pensamentos como reflexo da nossa totalidade e humanidade, aceitando-os e deixando de julgá-los, assim como devemos agir com nós mesmos.

 


 

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Acho importante sempre priorizar a literatura científica para que possamos propor uma discussão valiosa e importante e que venha agregar a todos nós na prática clínica.
Para que possamos entender melhor a prática de Mindful Eating e Mindfulness na prática, convido todos a visitarem as diretrizes americanas, traduzidas pela equipe do Centro Brasileiro de Mindful Eating, clicando aqui.

Em relação ao nível de evidência de Mindful Eating no emagrecimento, em Carrière et al. (2017), um trabalho com um dos níveis de evidência mais altos que temos em termos de publicação, denominada de Meta Análise, foram analisadas 18 publicações (cerca de 1000 participantes). O que se observou foi uma perda ponderal de 3,0kg a 3,5kg de peso, classificando este como um efeito moderado das chamadas intervenções baseadas em Mindfulness. Conclui-se que estas intervenções podem promover perda de peso e ainda promover melhora nos comportamentos alimentares relacionados ao sobrepeso e obesidade. Ainda são necessários mais estudos a fim de compreender a eficácia destas intervenções na MANUTENÇÂO desta perda de peso.

É importante salientar que, apesar dessa promoção de perda de peso, Mindful eating pode ser compreendido como um traço psicológico, não podendo ser chamado de técnica ou ferramenta e que os programas baseados emMindfulness são um treino de habilidades que utilizam Mindful eating como parte desse processo, não sendo então abordagens específicas para perda de peso, mas que podem vir a promovê-lo.
Finalizando, é importante lembrar que essas premissas relacionadas ao emagrecimento sempre existiram e vão existir, mas cabe a nós, profissionais, cultivar a sabedoria, a prática pessoal e, claro, nos apoiar.

Forte abraços a todos!

CARRIÈRE, K. et al. Mindfulness-based interventions for weight loss: a systematic review and meta-analysis. Obesity Reviews, [s.l.], p.1-14, 27 out. 2017

 


 

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Hoje, dia mundial da diabetes, a temática é o autocuidado e gerenciamento dessa doença, que requer uma continua regulação da composição alimentar, que pode lançar mão de restrições de grupos alimentares e determinados nutrientes, como a sacarose e outros açúcares, podendo promover sentimentos de insatisfação e tristeza (Miller et al., 2014).

Mindfulness ou plena atenção, como é chamado no Brasil, vem se mostrando eficiente em aprimorar e desenvolver o bem-estar, reduzir a ansiedade e depressão, distúrbios alimentares, desejo por comidas e controle de peso, fatores estes que podem estar presentes e associados a Diabetes do tipo 2 (Miller et al., 2014).
Intervenções baseadas em Mindfulness (MBI´S) , assim como Mindful Eating (atenção plena ao comer) consistem em um conjunto de técnicas para desenvolver uma maior consciência da experiência momentânea da fome, saciedade, satisfação, pensamento e emoções. Fatores estes influenciadores do comportamento alimentar (Kristeller et al., 2011).

Em estudo com adultos que desenvolveram DM tipo 2, foi demonstrado que Mindful Eating pode promover a melhora nas habilidades, atitudes e comportamento alimentar (Miller; Kristeller, 2014). Por estes fatores, comer com atenção plena pode estar associado a uma melhor regulação da glicemia (Loucks et al., 2016). Ainda estes estudos mostraram possível efeito do nível de Mindfulness sobre este padrão de comportamento, onde quanto maior o nível de Mindfulness maior a tendência a estes comportamentos (Pivarunas et al., 2015).

Portanto no dia mundial da Diabetes fica o convite para incorporar Mindfulness e Mindful eating como complemento e como meio de suporte contínuo em programas de educação sobre diabetes para oferecer aos pacientes melhores escolhas no atendimento de suas necessidades de autocuidado (Miller; Kristeller 2014)

LOUCKS, Eric B. et al. Associations of Mindfulness with Glucose Regulation and Diabetes. American Journal Of Health Behavior, [s.l.], v. 40, n. 2, p.258-267, mar. 2016.

MILLER, Carla K. et al. Comparison of a Mindful Eating Intervention to a Diabetes SelfManagement Intervention Among Adults With Type 2 Diabetes: A Randomized Controlled Trial. Health Education & Behavior, p.1-17, abr. 2014.

PIVARUNAS, Bernadette et al. Mindfulness and eating behavior in adolescent girls at risk for type 2 diabetes. International Journal Of Eating Disorders, [s.l.], v. 48, n. 6, p.563-569, 14 jul. 2015.

 


 

3 min

Introduzir Mindfulness em nossa vida diária envolve uma mudança de hábito e uma das dificuldades descritas pelas pessoas que iniciam a prática é a falta de tempo.
​Uma prática que você pode inserir no seu dia a dia e que é bem rápida e simples é a prática dos três minutos ou dos três passos. Sendo rápida, você pode realizá-la sempre que achar necessário, como antes de uma apresentação para trazer mais calma e foco; quando passar por alguma situação desagradável, para evitar a reatividade; ou até antes das refeições, para tomar consciência das sensações físicas de fome.
Como praticar então?
Primeiro passo ou primeiro minuto: feche os olhos e, devagar, conscientize-se:
– Do ambiente ao seu redor: preste atenção nos sons que chegam até você, na temperatura do ambiente;
– Do seu corpo: contato do corpo com o ambiente, sensações agradáveis e desagradáveis; e
– Da sua experiência interna: observe pensamentos e emoções que surgem.
Segundo passo ou segundo minuto: aos poucos, traga a atenção para a sua respiração, sem tentar modificá-la, apenas observando-a no momento presente. Se a sua mente se distrair, traga-a de volta a respiração, quantas vezes forem necessárias, de forma gentil.
Terceiro passo ou terceiro minuto: expansão da atenção progressivamente para todo o corpo e, posteriormente, para o ambiente. Progressivamente, retorne a consciência para o corpo como um todo e, quando se sentir confortável, volte a abrir os olhos.

Em relação a alimentação, essa prática, quando realizada antes das refeições, traz mais atenção ao momento presente, resultando em escolhas mais conscientes, por exemplo dos alimentos e suas quantidades naquela refeição, pois você compreende melhor suas necessidades para o momento.

 


 

aceitação

Existe uma tendência humana em buscar aquilo que é bom e negar aquilo que é ruim. Mas, sabemos também que sofrimento é inerente ao ser humano e inevitável.

O sofrimento resulta do produto da dor e da resistência;
Sofrimento = Dor x Resistência
Portanto, pode ser potencializado quando o negamos ou tentamos evitá-lo.

Essa negação às nossas dores, emoções, sentimentos e sensações desagradáveis e a busca pelo alívio se dá da seguinte forma: você tem uma emoção ruim → por associação, o cérebro relaciona comida ao prazer → ato de comer para sentir-se bem → geração de sentimento de culpa e cobranças (e/ou questionamentos à respeito do ato de comer) → sente-se mal novamente → nova busca por prazer e alívio através do alimento.
Uma forma de quebrar esse ciclo vicioso é através da aceitação, um importante componente dentro do conceito de Mindfulness.
Costumamos acreditar que aceitação é resignação, mas a diferença consiste em que a resignação é uma atitude PASSIVA, que leva a não fazer nada em relação ao problema. Por exemplo: Acredito que ao “aceitar” que estou acima do peso, não farei nada à respeito para mudá-lo.
Já na aceitação, não ocorre um ato de passividade, como na resignação, mas sim uma atitude ASSERTIVA, onde o indivíduo está consciente do que está acontecendo, independente do que está acontecendo, enquanto está acontecendo, sem intenção de modificar. A aceitação nos faz conhecer onde estamos antes que se possa começar a trabalhar para chegar onde queremos.
Por exemplo: uma pessoa que não aceita o seu peso e estilo de vida. Se ela aceita sua realidade, ela começa a movimentar e fazer a mudança. Ela fica atenta no que está presente, o que resulta em escolhas intencionais e conscientes.