Fisiculturismo & Comportamento alimentar

O fisiculturismo não é um esporte relacionado à saúde ou bem-estar podendo ser fruto de um processo disfuncional do comportamento relacionado ao exercício e alimentação e por isso Helms, Prnjak e Linardon (2019) buscaram verificar a saúde mental desses atletas e a consciência deles sobre o seu estado em uma análise narrativa da literatura científica.

Os estudos analisados demonstraram que fisiculturistas obtiveram taxas mais altas de obsessão com alimentos, ansiedade, depressão, raiva e perfeccionismo, não se sabendo ao certo se esses atletas apresentam consciência dessa condição debilitante da saúde mental ou a percebem como necessária como por exemplo compreendendo que isso é um estilo de vida a ser adotado ou o jeito certo de se alimentar. Assim como em outros estudos foi encontrado uma porção substancial previamente diagnosticada com distorção da imagem corporal ou transtorno alimentar (31,25% com compulsão alimentar ou dismorfia corporal e 42% com anorexia),

Não se sabe ao certo se os atletas com histórico ou tendência para desenvolver essas questões são atraídos para o esporte ou se impulsiona essas incidências mais altas.  Contudo, fora encontrado que certos traços de personalidade podem colocar alguém em maior risco de comportamentos patológicos ou que alguns indivíduos com psicopatologia preexistente sejam atraídos ao fisiculturismo, como alto nível de perfeccionismo, baixa autoestima, impulsividade, agressividade, competitividade e menor tolerância à frustração. Assim como, experiências anteriores de bullying na infância podem estar associadas à dismorfia corporal na idade adulta, sendo relativamente comum entre fisiculturistas. Em suma, é importante ressaltar que a grande maioria dos estudos nessa área é transversal, portanto, conclusões derivadas apenas de observações de curto prazo devem ser tomadas com cautela.

Os dados analisados segundo os autores indicam que o dano potencial pode se originar da restrição alimentar como forma de atender de à rigor seus objetivos, podendo levar a uma relação adversa com a alimentação, o treinamento e a imagem corporal. Entre as competidoras femininas ainda são encontrados níveis hormonais alterados que levam a irregularidades menstruais, assim como correm maior risco de deficiência de energia relativa no esporte (RED-S) seguido de um estado de baixa disponibilidade de energia.

Os autores ressaltam portanto que embora haja diretrizes e recomendações para minimizar os efeitos prejudiciais à saúde, ainda são encontradas altas taxas de problemas de saúde mental entre os participantes do esporte.

 

Texto por João Motarelli e Julia Tott Mormillo

 

Helms, E. R., Prnjak, K., & Linardon, J. (2019). Towards a Sustainable Nutrition Paradigm in Physique Sport: A Narrative Review. Sports, 7(7), 172.

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