O aumento da prevalência de transtornos alimentares

Com o objetivo de descrever toda a gama de estudos de prevalência de transtornos alimentares referentes à população geral, a revisão sistemática de Galmiche et al. visou verificar em artigos publicados entre janeiro de 2000 e junho de 2018, em inglês ou francês, se é possível uma comparação e assim reconstruir a evolução dos estudos de prevalência de transtornos alimentares nos últimos anos.

Entre os estudos relacionados a prevalência de transtornos alimentares, as médias ponderadas da prevalência do ponto TA de acordo com o sexo foram de 5,7% para as mulheres e de 2,2% para os homens. De fato, os TAs acometem principalmente as mulheres, contudo, a razão masculino:feminino tende a evoluir ao longo dos anos, sendo referido em 2007 valores da razão sexual de 0,5 para Anorexia e Bulimia Nervosa, enquanto a compulsão alimentar apresenta o valor de 0,6 com tendência a se equiparar aos outros dois transtornos, visto que os homens apresentam mais o transtorno de modo atípico enquanto as mulheres sofrem mais com transtornos de humor e ansiedade. No entanto, são necessários mais estudos distinguindo homens e mulheres para valores mais próximos da realidade.

Já com relação ao estágio de vida, as medias ponderadas de prevalência pontual foram de 8,8% (0,9-10,0%) em adultos e 5,7% (0,2% a 15,0%) em adolescentes. Estando de acordo com o desenvolvimento precoce especialmente de Anorexia e Bulimia Nervosa, sendo que 75% dos indivíduos com AN e 83,3% com BN relataram início precoce, já o transtorno de compulsão alimentar periódica é mais disseminado ao longo do tempo. Contudo muitos estudos não distinguiram adultos e adolescentes.

Houve uma variação de prevalência de transtornos alimentares de acordo com o continente e pode ser explicada pela variedade de países em que os estudos foram realizados. Contanto, o continente americano tende a ter a maior prevalência, com médias ponderadas de 4,6%, seguido pela Ásia com 3,5% e a Europa com 2,2%. Contradizendo estudos anteriores que consideravam os TAs restritos aos países ocidentais desenvolvidos. Todavia, nenhum dado de prevalência na África foi apresentado, porque não foram encontrados artigos completos publicados. Assim como, essa diferença entre os países pode ser explicada aos vários antecedentes genéticos e comportamentos alimentares que podem ser influenciados pelo ambiente, incluindo a dieta e a microbiota intestinal. Assim como fatores culturais como vícios (à internet e televisão), distorção de imagem corporal influenciada pela mídia e a multiplicação de dietas de emagrecimento. O estilo de vida além da dieta, como o estresse, pode afetar também essa prevalência.

É extremamente importante destacar ainda que as médias ponderadas de 3 períodos de publicação de estudos tiveram um aumento na prevalência pontual ao longo da duração do estudo, sendo que a média ponderada aumentou de 3,5% para 2000-2006 para 4,9% para 2007-2012 e 7,8% para o período 2013-2018. Contudo, a diferença e a evolução das ferramentas usadas para a avaliação e classificação dos transtornos alimentares dificultam a avaliação da evolução da prevalência ao longo do tempo. Portanto, a fim de facilitar a comparação confiável entre os países e no futuro, há necessidade de estabilização da classificação diagnóstica e de consenso sobre as melhores ferramentas disponíveis a serem usadas globalmente.

 

Texto por João Motarelli e Julia Tott Mormillo

 

Galmiche, M., Déchelotte, P., Lambert, G., & Tavolacci, M. P. (2019). Prevalence of eating disorders over the 2000–2018 period: a systematic literature review. The American Journal of Clinical Nutrition.

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