Comportamento alimentar desordenado em esportes de elite de alta intensidade

A dieta é um importante fator de risco para transtornos alimentares, sendo o precursor primário para o desenvolvimento dos TAs. A prevalência de transtornos alimentares está aumentada em atletas de elite, sendo a causa do início da dieta relacionada a: percepção do paradigma da aparência no esporte específico, melhorias percebidas no desempenho e pressões culturais para magreza e/ou corpo ideal.

Até 70% dos atletas de elite que competem em esportes de classe de peso fazem dieta e têm comportamentos alimentares anormais para reduzir o peso antes da competição. Vários estudos também relataram uma frequência mais alta de desordens alimentares em atletas competindo em esportes que enfatizam a magreza ou o baixo peso corporal. Sendo dessa forma, os atletas que têm maior risco para desenvolvimento de transtornos alimentares aqueles envolvidos em esportes que enfatizam o tamanho/forma corporal e que utilizam categoria de peso.

É importante frisar que a causa dos transtornos alimentares é multifatorial e que diferentes fatores predispõem, precipitam e perpetuam o transtorno. Nos esportes, os fatores predisponentes (por exemplo: indivíduo, família e cultura) podem ser desencadeados por um fator precipitante (por exemplo: comentário sobre o peso corporal) e mantidos por fatores de perpetuação (por exemplo: sucesso inicial, aprovação do técnico). É importante ter atenção a atletas que restringem a ingestão calórica, seja inadvertida ou por intenção, pois podem ser considerados de risco. Além da dieta, os fatores de personalidade, a pressão para perder peso, o ciclo de peso frequente, o início precoce do treinamento esportivo específico, o overtraining, lesões e o comportamento inadequado de treinamento são também fatores de risco importantes.

Para prevenção de distúrbios alimentares, dietas desnecessárias devem ser evitadas visto que a dieta é o precursor primário para desenvolvimento dos TAs. Os atletas devem praticar uma alimentação saudável, e a equipe e os pais devem ser capazes de reconhecer os sintomas físicos e as características psicológicas que indicam um risco para distúrbios alimentares. É importante também que haja uma maior abertura em relação aos desafios psiquiátricos no ambiente esportivo.

 

Texto por João Motarelli e Julia Tott Mormillo

 

Sundgot-Borgen, J., & Torstveit, M. K. (2010). Aspects of disordered eating continuum in elite high-intensity sports. Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports, 20, 112–121.

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