O modelo de aceitação da alimentação intuitiva

Diferente da maioria dos estudos que podemos encontrar hoje em dia, um estudo buscou focar em um aspecto mais positivo ao invés da patologia em si. O objetivo da pesquisa foi analisar e comparar o modelo de aceitação da alimentação intuitiva em mulheres de diferentes idades.

Primeiramente é importante relacionar dois conceitos: a apreciação corporal e o comer intuitivo. A apreciação corporal pode ser identificada ao apresentar opiniões favoráveis do corpo apesar de seu tamanho e imperfeições, estar atento às necessidades do mesmo, apresentar comportamentos saudáveis a fim de cuidar do corpo e rejeitar os ideais da mídia irrealista. Com este comportamento há uma maior autoestima, otimismo, satisfação com a vida e enfrentamento proativo.

Já a alimentação intuitiva pode ser definida como uma confiança e conexão com o próprio corpo, respeitando seus sinais fisiológicos de fome e saciedade. Indivíduos com esse comportamento não se preocupam com dieta ou pensam constantemente em comida, eles escolhem alimentos que irão nutrir o corpo, fornecer energia e que gostam. Não passam fome e nem titulam alimentos em proibidos, comem quando estão com fome até se sentirem satisfeitos. Indivíduos que apreciam o próprio corpo apresentam uma maior confiança para seguir a alimentação intuitiva.

Voltando ao estudo, os pesquisadores encontraram para todas as faixas etárias um aumento no apoio social percebido associado a um maior nível de aceitação corporal por outros. Assim como, quando essas mulheres percebiam que os outros aceitavam seus corpos, elas eram mais resistentes a adotar a perspectiva de um observador e se sentiam mais agradecidas. As mulheres eram mais propensas a apreciar seus corpos e comer de acordo com as necessidades de seu corpo quando não se concentram em como seu corpo aparecia para os outros. A apreciação corporal foi única e positivamente relacionada à alimentação intuitiva. Por isso, é muito importante essa onda de aceitação corporal que está cada vez mais aumentando nas redes sociais.

Com esse estudo foi possível concluir que o modelo de alimentação intuitiva é bastante promissor, encontrando evidências que o modelo pode ser aplicado para as diferentes idades das mulheres e que o IMC pode ser significativamente integrado a sua estrutura. Todavia, houveram divergências entre os níveis de variáveis e força de caminhos para cada faixa etária. Como essa pesquisa sobre o modelo de aceitação é muito recente é importante que outros pesquisadores se interessem a pesquisar mais sobre esse tema e com amostras diferentes e mais diversificadas.

As mulheres precisam melhorar sua apreciação corporal e resistência em adotar a perspectiva do observador, o que auxilia à maior alimentação adaptativa e ao bem-estar psicológico, enquanto a insatisfação corporal e a perspectiva do observador estão associadas à angústia psicológica. Por isso, é muito importante um maior conhecimento sobre o assunto tanto das pessoas ao redor quanto de profissionais para auxiliar essas mulheres com problemas de imagem e de alimentação.

 

Texto por João Motarelli e Julia Tott Mormillo

 

Augustus-Horvath, C. L., & Tylka, T. L. (2011). The acceptance model of intuitive eating: A comparison of women in emerging adulthood, early adulthood, and middle adulthood. Journal of Counseling Psychology, 58(1), 110–125.

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